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Pobreza multidimensional no brasil

Este relatório apresenta uma análise da pobreza multidimensional no Brasil no período de 2001 a 2024, examinando a evolução das privações que afetam diferentes dimensões do bem-estar da população.

Método alkire-foster

O método Alkire-Foster identifica a pobreza multidimensional a partir da combinação de diferentes privações simultâneas que afetam o bem-estar das pessoas, permitindo medir não apenas quantos são pobres, mas também a intensidade de suas privações.

Mais de 85 milhões de brasileiros deixaram a pobreza multidimensional em pouco mais de duas décadas

A melhoria nas condições de vida foi observada em todo o território nacional, inclusive nas regiões historicamente mais vulneráveis. Este relatório examina os resultados dessa trajetória e analisa como as condições de bem-estar da população brasileira se transformaram ao longo das últimas décadas.

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Entre 2001 e 2024, o Brasil experimentou mudanças significativas em múltiplas dimensões da vida social, com avanços relevantes na ampliação do acesso à educação, à infraestrutura domiciliar, aos serviços essenciais e às oportunidades de inserção no mercado de trabalho. Embora persistam desafios estruturais e desigualdades que continuam a marcar a realidade nacional, a evolução observada indica um processo consistente de melhoria nas condições de vida da população.

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A análise apresentada tem como base os microdados das pesquisas domiciliares do IBGE, combinando a PNAD e a PNAD Contínua para construir uma série histórica comparável sobre pobreza multidimensional no país. Para essa finalidade, foi elaborado um Índice de Pobreza Multidimensional fundamentado no método Alkire-Foster, abordagem amplamente utilizada internacionalmente para identificar privações simultâneas que afetam o bem-estar das pessoas de forma integrada.

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Nas seções seguintes, são apresentados os principais resultados da pesquisa, oferecendo uma leitura sobre como diferentes dimensões da vida cotidiana dos brasileiros se modificaram ao longo do tempo, o que essas transformações revelam sobre o desenvolvimento social do país e quais desafios permanecem no horizonte. 

Ladeira em Olinda
Formação  trabalho entre jovens

Qualquer jovem, entre 15 e 24 anos não estuda e nem trabalha.

Formação e trabalho entre jovens

Peso: 11,1%

Formalidade laboral

Qualquer membro está empregado, mas não contribui para a previdência social

Formalidade laboral

Peso: 11,1%

Emprego

Qualquer membro do sexo masculino entre 25 e 65 anos ou do sexo feminino entre 25 e 62 anos está desempregado.

Emprego

Peso: 11,1%

Internet

Nenhum membro do domicílio tem acesso à internet

Acesso à internet

Peso: 11,1%

Conclusão do Ensino Entre Jovens

Crianças e jovens que não estejam frequentando a escola ou estejam em situação de distroção idade-série.

Conclusão do Ensino entre jovens

Peso: 11,1%

Escolaridade

Qualquer membro do domicílio a partir de 8 anos não é alfabetizado ou não possui a quantidade de anos de escolarização esperada para a faixa etária.

Escolaridade

Peso: 11,1%

Bens Duráveis

O domicílio não possui pelo menos três dos seguintes bens duráveis: telefone (celular ou fixo); geladeira; máquina de lavar; televisão e computador

Bens Duráveis

Peso: 6,66%

Banheiro exclusivo e saneamento

Não há banheiro para uso exclusivo dos moradores ou o escoadouro do banheiro é através de uma fossa séptica não conectada à rede geral ou em uma vala, rio, lago, mar ou outra forma precária.

Banheiro exclusivo e saneamento

Peso: 6,66%

Infraestrutura domiciliar

As paredes externas são construídas com materiais precários ou o telhado é feito de zinco, alumínio ou outro material diferente de telhas, lajes de concreto ou madeira adequada para construção

Infraestrutura domiciliar

Peso: 6,66%

Coleta de Lixo

Não há coleta direta de resíduos

Coleta de Lixo

Peso: 6,66%

Acesso à água

Urbano: não há acesso à rede geral ou água encanada dentro do domicílio.

Rural: não acesso à rede geral, poço, nascente ou cisterna ou água encanada dentro do domicílio.

Acesso à água

Peso: 6,66%

Antes de medir a pobreza multidimensional, é preciso definir as regras do jogo: selecionar indicadores, atribuir pesos e estabelecer os cortes que identificam as privações enfrentadas pela população. O IPM Brasil possui 11 indicadores distribuídos em 3 dimensões.

A arquitetura da pobreza multidimensional no Brasil

Dimensão Emprego

Dimensão Educação

Dimensão Padrão de Vida

Bem-estar em todas as dimensões

Na dimensão Trabalho e Ocupação, observa-se uma trajetória de melhora mais gradual e menos linear quando comparada às demais dimensões. Indicadores como desemprego, informalidade e a condição de jovens que não estudam nem trabalham apresentaram redução ao longo do período, mas com maior sensibilidade às oscilações econômicas e menor velocidade de convergência. Isso sugere que, embora o mercado de trabalho tenha contribuído para a expansão do bem-estar, essa permanece como uma dimensão mais vulnerável a choques conjunturais e estruturalmente mais difícil de transformar.

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Na dimensão Educação, a redução das privações também foi marcante, com destaque para a forte queda nos indicadores de atraso escolar e abandono, historicamente entre os mais elevados da série. O acesso à internet, incorporado como dimensão relevante do bem-estar contemporâneo, também apresentou melhora importante, refletindo a expansão da conectividade no país. Apesar dos avanços, os indicadores educacionais seguem entre aqueles com níveis relativamente mais altos de privação, sugerindo desafios persistentes relacionados à permanência escolar e à desigualdade de oportunidades.

Na dimensão Padrão de Vida, os avanços foram particularmente expressivos em indicadores relacionados às condições domiciliares e ao acesso a serviços básicos. As maiores reduções ocorreram nas privações associadas ao acesso a banheiro de uso exclusivo e esgotamento sanitário, bens duráveis, coleta de lixo e acesso à água, evidenciando a ampliação da infraestrutura urbana e a melhoria das condições materiais de vida da população. Ainda assim, persistem déficits residuais, especialmente em territórios mais vulneráveis.

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Os resultados revelam uma trajetória consistente de redução das privações multidimensionais no Brasil ao longo das últimas duas décadas, com avanços observados em todos os indicadores analisados. Embora a intensidade das melhorias varie entre dimensões, o padrão geral indica expansão significativa do bem-estar, especialmente entre os anos 2000 e meados da década de 2010, quando a queda das privações ocorreu de forma mais acelerada. Nos anos mais recentes, observa-se certa desaceleração, mas a tendência de melhora permanece.

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A contribuição de cada indicador 

Nos anos mais recentes, especialmente em 2022 e 2023, o gráfico sugere a consolidação desse novo perfil, com maior concentração das privações em emprego, informalidade e conectividade, enquanto indicadores de infraestrutura básica perdem participação relativa. Isso não significa necessariamente que essas privações deixaram de existir, mas sim que, comparativamente, outros desafios passaram a explicar uma parcela maior da pobreza multidimensional no país, revelando a transição de carências mais estruturais para vulnerabilidades associadas à inserção econômica e às novas desigualdades sociais.

Ao longo da década de 2010, observa-se uma redução gradual da contribuição relativa dessas privações mais tradicionais, acompanhada pelo crescimento do peso de dimensões ligadas ao mercado de trabalho e à inclusão produtiva, como desemprego, informalidade e jovens que não estudam nem trabalham. Também chama atenção a incorporação e posterior aumento da relevância do acesso à internet, indicando como novas dimensões de exclusão passam a integrar o conceito de privação em uma sociedade mais digitalizada.

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Avanços coexistem com desigualdades persistentes

Apesar dos avanços observados nas últimas décadas, a redução da pobreza multidimensional não ocorreu de forma homogênea no país. Permanecem desigualdades expressivas entre estados, revelando contrastes territoriais marcantes, assim como diferenças relevantes entre grupos etários, raciais e de gênero. Crianças e adolescentes, população preta e parda e mulheres, especialmente em contextos de maior vulnerabilidade, seguem mais expostos a privações em dimensões essenciais do bem-estar. Esses padrões mostram que o progresso nacional, embora significativo, ainda convive com desigualdades estruturais que demandam respostas públicas mais focalizadas e capazes de enfrentar as múltiplas faces da exclusão social no Brasil.

Image by Paul Pineda
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